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Histórias da Navegação

1519 – 1522 · Espanha, Canárias, Atlântico, Brasil

Fernão de Magalhães e Elcano: a primeira volta ao mundo (1519–1522)

Esta história ainda não tem o texto completo. Por enquanto, cada trecho é uma etapa do vídeo.

Parte 1 de 4

Da Espanha a San Julián · 1519–1520

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20 de setembro de 1519 · Sanlúcar

Cinco naus deixam Sanlúcar de Barrameda sob o comando do português Fernão de Magalhães, a serviço da Espanha. O objetivo: chegar às ilhas das especiarias navegando para oeste.

Setembro de 1519 · Tenerife

A frota faz escala em Tenerife, nas Canárias, para levar água, lenha e carne. Depois segue para o sul, ao longo da costa da África.

Outubro de 1519 · costa da África

Perto do equador, a frota enfrenta semanas de calmarias e tempestades. Só então atravessa o Atlântico em direção ao Brasil.

13 de dezembro de 1519 · Rio de Janeiro

A frota entra na baía de Guanabara, onde fica quase duas semanas. Os marinheiros trocam objetos de metal por comida com os povos do lugar.

Janeiro de 1520 · Rio da Prata

Magalhães explora o enorme estuário do Rio da Prata, esperando achar ali a passagem para o outro oceano. Não era: é a foz de um rio de água doce.

31 de março de 1520 · San Julián

Com o inverno chegando, a frota se abriga numa baía da Patagônia que chama de porto de San Julián. Vai ficar ali por quase cinco meses.

Abril de 1520 · o motim

Na noite de 1º de abril, três capitães se rebelam contra Magalhães. Ele retoma o controle: Mendoza é morto e Quesada, executado. Cartagena será abandonado em terra.

Maio de 1520 · rio Santa Cruz

Enviada para explorar a costa ao sul, a pequena nau Santiago é jogada contra as rochas perto do rio Santa Cruz. Quase toda a tripulação se salva.

Inverno de 1520 · San Julián

Os europeus encontram os povos nativos da região, que acham gigantes. Passam a chamá-los de patagões, nome que deu origem à palavra Patagônia.

24 de agosto de 1520 · partida

Depois do inverno, as quatro naus deixam San Julián rumo ao sul, à procura da passagem. Para trás ficam Cartagena e um padre, abandonados na costa.

Parte 2 de 4

O estreito · 1520

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18 de outubro de 1520 · rio Santa Cruz

Depois de quase dois meses no rio Santa Cruz, as quatro naus voltam a descer a costa da Patagônia em busca da passagem para o outro oceano.

21 de outubro de 1520 · cabo das Virgens

No dia das Onze Mil Virgens, a frota avista um cabo e, atrás dele, uma grande entrada de mar. Magalhães o chama de cabo das Virgens.

Outubro de 1520 · as angosturas

As naus passam por dois estreitamentos de correnteza forte e entram num labirinto de canais, ilhas e montanhas cobertas de neve.

1º de novembro de 1520 · Todos os Santos

No dia de Todos os Santos, Magalhães batiza a passagem de estreito de Todos os Santos. Hoje ela leva o nome dele: estreito de Magalhães.

Novembro de 1520 · a deserção

Enviada para explorar um dos canais, a nau San Antonio não volta. Sua tripulação se amotina e retorna à Espanha, onde chega em maio de 1521.

Novembro de 1520 · Terra do Fogo

Na margem sul do estreito, os navegantes veem fogueiras acesas pelos povos nativos e chamam a região de Terra dos Fogos. Hoje, Terra do Fogo.

28 de novembro de 1520 · cabo Desejado

Mais de cinco semanas depois, três naus saem do estreito para um oceano tão calmo que Magalhães o chama de Pacífico. Ninguém sabe o tamanho dele.

Parte 3 de 4

O Pacífico e a morte em Mactã · 1520–1521

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28 de novembro de 1520 · cabo Desejado

Três naus entram no oceano Pacífico. Ninguém imaginava o seu tamanho: a travessia vai durar mais de três meses, sem nenhuma escala para reabastecer.

Janeiro de 1521 · ilhas Desafortunadas

Em toda a travessia, a frota só avista duas ilhotas desabitadas, sem lugar para ancorar. Pigafetta, o cronista da viagem, as chama de ilhas Desafortunadas.

Fevereiro de 1521 · a fome

A comida acaba. Os homens comem biscoito podre, couro amolecido na água do mar, serragem e ratos. Segundo Pigafetta, 19 morrem de escorbuto.

6 de março de 1521 · Guam

Enfim, terra: as ilhas Marianas. Os nativos levam um bote da frota, e Magalhães as chama de ilhas dos Ladrões. Em resposta, ataca uma aldeia.

16 de março de 1521 · Filipinas

A frota chega ao arquipélago que hoje se chama Filipinas e para na pequena ilha de Homonhon, onde os doentes começam a se recuperar.

31 de março de 1521 · Limasawa

Na ilha de Limasawa, no domingo de Páscoa, os europeus celebram a primeira missa de que se tem registro nas Filipinas.

7 de abril de 1521 · Cebu

Em Cebu, Magalhães faz aliança com o rajá Humabon, que é batizado com muitos dos seus súditos. Depois, passa a exigir obediência das ilhas vizinhas.

27 de abril de 1521 · Mactã

Lapulapu, chefe da ilha de Mactã, se recusa a obedecer. Magalhães desembarca com cerca de 50 homens e é morto na praia, em combate.

Maio de 1521 · Cebu

Dias depois, Humabon convida os europeus para um banquete, e muitos são mortos. Os sobreviventes fogem de Cebu sem o seu comandante.

Parte 4 de 4

A volta da Victoria · 1521–1522

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Maio de 1521 · Bohol

Sem homens suficientes para três naus, os sobreviventes queimam a Concepción perto da ilha de Bohol. Seguem só a Trinidad e a Victoria.

Julho de 1521 · Bornéu

Perdidas entre as ilhas, as naus chegam ao rico sultanato de Brunei, em Bornéu. Nesses meses, Juan Sebastián Elcano passa a capitão da Victoria.

8 de novembro de 1521 · Tidore

Mais de dois anos depois da partida, as naus chegam enfim às ilhas Molucas, a terra do cravo, e são bem recebidas pelo rei de Tidore.

21 de dezembro de 1521 · Tidore

Carregadas de cravo, as naus tentam partir, mas a Trinidad está fazendo água e fica para o conserto. A Victoria, com Elcano, segue sozinha para o oeste.

Fevereiro de 1522 · Timor

Depois de uma escala em Timor, a Victoria entra no oceano Índico. Para fugir dos portugueses, segue uma rota muito ao sul, longe de qualquer porto.

Março de 1522 · ilha Amsterdam

No meio do Índico, a tripulação avista uma ilha solitária, a atual ilha Amsterdam, mas segue sem parar rumo ao Cabo da Boa Esperança.

18 de maio de 1522 · Cabo da Boa Esperança

Depois de lutar contra tempestades que quebram o mastro da proa, a Victoria dobra o Cabo da Boa Esperança. A fome e o escorbuto matam muitos homens.

Julho de 1522 · Cabo Verde

Desesperado, Elcano para em Cabo Verde, território português, fingindo vir da América. Quando o engano é descoberto, 13 homens são presos e a Victoria foge.

Julho de 1522 · um dia a menos

Em terra, eles descobrem que o diário de bordo está um dia atrasado. Dando a volta ao mundo para oeste, a frota tinha 'perdido' um dia.

6 de setembro de 1522 · Sanlúcar

Quase três anos depois da partida, a Victoria chega a Sanlúcar com 18 homens, os primeiros a dar a volta ao mundo. Das cinco naus, só ela completou a volta.

Para ler mais

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Fontes e conferência

Cada data foi batida com as fontes abaixo. Quando elas não concordam, a divergência fica registrada aqui.

Parte 1: Da Espanha a San Julián · 1519–1520

Partida de Sanlúcar em 20 de setembro de 1519, com cinco naus
confirmadoA frota saiu de Sevilha em 10 de agosto e de Sanlúcar em 20 de setembro (cronologia da edição Hakluyt; ACAMI). Tripulação: 239 (La Prensa Austral) a cerca de 265; o texto não dá número.
Escala em Tenerife (26 set. a 3 out. 1519)
confirmado
Calmarias e tempestades perto do equador
confirmado
Rio de Janeiro (baía de Guanabara) em 13 de dezembro de 1519, cerca de duas semanas
confirmadoPigafetta: 13 dias; saída em 26 ou 27 de dezembro.
Exploração do Rio da Prata em janeiro de 1520
confirmadoChegada por volta de 10 a 12 de janeiro; o texto diz 'janeiro de 1520'.
Chegada a San Julián em 31 de março de 1520; cerca de cinco meses ali
confirmado
Motim na noite de 1º para 2 de abril de 1520; Mendoza morto, Quesada executado, Cartagena abandonado
confirmadoCartagena e o padre Pedro Sánchez de la Reina foram deixados em terra em agosto, na partida.
Naufrágio da Santiago perto do rio Santa Cruz, quase todos salvos
fontes divergemLa Prensa Austral dá 3 de maio e, em outra página, 22 de maio de 1520 (só morreu um escravo, Juan Negro). O texto diz 'maio de 1520'.
Os nativos chamados de patagões, origem do nome Patagônia
confirmadoA estatura dos 'gigantes' é exagero do relato; o texto diz que os europeus os acham gigantes.
Saída de San Julián em 24 de agosto de 1520
confirmado

Parte 2: O estreito · 1520

Saída do rio Santa Cruz em 18 de outubro de 1520, depois de cerca de dois meses
confirmado
Cabo das Virgens avistado em 21 de outubro de 1520, dia das Onze Mil Virgens
confirmado
Dois estreitamentos (angosturas), canais e montanhas nevadas
confirmadoTopônimos da época citados por La Prensa Austral: Angostura, Sierras Nevadas, Islas Nevadas.
Nome 'estreito de Todos os Santos' em 1º de novembro de 1520
confirmado
Deserção da San Antonio, que volta à Espanha (chegada em 6 de maio de 1521)
confirmadoA data exata da deserção é incerta (início de novembro); o texto diz 'novembro de 1520'. O comandante era Álvaro de Mesquita, preso pelo piloto Estêvão Gomes; fora do texto.
Fogueiras na margem sul e o nome Terra dos Fogos
confirmadoLa Prensa Austral cita também 'Tierra de los Humos'.
Saída para o Pacífico em 28 de novembro de 1520 com três naus; o nome Pacífico
confirmadoLa Prensa Austral dá a passagem entre 21 de outubro e 27 de novembro; Pigafetta, saída na quarta-feira, 28 de novembro.

Parte 3: O Pacífico e a morte em Mactã · 1520–1521

Travessia do Pacífico por três meses e vinte dias sem reabastecer
confirmado
Só duas ilhotas desabitadas avistadas (ilhas Desafortunadas: San Pablo em 24 jan., Tiburones em 4 fev. 1521)
confirmadoA identificação das ilhas hoje é discutida; o mapa não as marca.
Fome: biscoito podre, couro, serragem e ratos; 19 mortos
confirmadoNúmero de Pigafetta; o texto atribui a ele.
Chegada às Marianas (Guam) em 6 de março de 1521; 'ilhas dos Ladrões'; ataque a uma aldeia
confirmado
Filipinas: chegada em 16 de março de 1521 e parada em Homonhon
confirmadoA cronologia da edição Hakluyt fala em 'Samar' em 16 de março; Homonhon fica ao sul de Samar.
Primeira missa em Limasawa, domingo de Páscoa, 31 de março de 1521
fontes divergemA Comissão Histórica Nacional das Filipinas confirmou Limasawa; há quem defenda Butuan. O texto diz 'de que se tem registro'.
Cebu em 7 de abril de 1521; aliança e batismo de Humabon
confirmado
Morte de Magalhães em Mactã, 27 de abril de 1521, contra Lapulapu; cerca de 50 homens
confirmadoPigafetta: 60 homens, 49 desembarcaram; o texto diz 'cerca de 50'.
Banquete de Humabon e massacre; fuga de Cebu em 1º de maio de 1521
confirmado

Parte 4: A volta da Victoria · 1521–1522

Concepción queimada perto de Bohol por falta de homens
confirmado
Brunei (Bornéu) em julho de 1521
confirmado
Elcano passa a capitão da Victoria (Espinosa no comando da Trinidad)
confirmadoA data exata (setembro de 1521) fica fora do texto: 'nesses meses'.
Chegada a Tidore em 8 de novembro de 1521
confirmado
Trinidad fazendo água; Victoria parte sozinha em 21 de dezembro de 1521
confirmadoPigafetta: na Victoria, 47 europeus e 13 nativos; na Trinidad ficaram 53 homens.
Escala em Timor e entrada no Índico em fevereiro de 1522, por rota muito ao sul
confirmadoACAMI: saída de Timor em 8 de fevereiro, Índico em 13 de fevereiro.
Ilha Amsterdam avistada em março de 1522
confirmadoCronologia da edição Hakluyt: 18 de março.
Cabo da Boa Esperança dobrado em 18 de maio de 1522; mastro da proa quebrado; mortes por fome e escorbuto
confirmado
Cabo Verde em 9 de julho de 1522; 13 homens presos
confirmado
O dia 'perdido' descoberto em Cabo Verde
confirmadoPara eles era quarta-feira; em terra, quinta-feira.
Chegada a Sanlúcar em 6 de setembro de 1522 com 18 homens
confirmadoEm Sevilha, em 8 de setembro.