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Histórias da Navegação

1516 – 1534 · oceano Atlântico, Brasil, Pernambuco, Bahia

Cristóvão Jaques e a primeira batalha naval no Brasil

Esta história ainda não tem o texto completo. Por enquanto, cada trecho é uma etapa do vídeo.

Parte 1 de 2

1ª parte · as armadas guarda-costas · 1516–1527

Início do século XVI

Na Europa, a tinta vermelha tirada do pau-brasil valia muito. Portugal se dizia dono da costa do Brasil, mas os reis da França não aceitavam esse monopólio.

Os franceses

Navios de portos do norte da França, da Bretanha e da Normandia, iam à costa do Brasil trocar mercadorias com os indígenas e voltar carregados de pau-brasil.

1516 · os guarda-costas

D. Manuel manda Cristóvão Jaques com duas caravelas patrulhar a costa contra os navios franceses. Começam as armadas guarda-costas.

1526–1527 · nova armada

Com os franceses cada vez mais presentes, D. João III manda Jaques de novo, como capitão-mor de uma nau e várias caravelas, para caçar os intrusos.

Rumo à Guiné

No caminho, uma das caravelas é mandada à costa da Guiné, na África. As outras seguem para o Brasil. Aquela caravela ainda voltaria a aparecer nesta história.

1527 · Pernambuco

Jaques chega à feitoria de Pernambuco, perto de Itamaracá, onde os portugueses guardavam o pau-brasil. Ali encontra náufragos espanhóis abandonados por corsários franceses.

A notícia

Os espanhóis contam que há navios franceses na Baía de Todos os Santos, carregando pau-brasil. As fontes falam em três ou quatro navios.

A caçada

Jaques separa quatro caravelas e desce a costa rumo à Bahia. O que acontece lá é tido como o primeiro combate naval no Brasil. É a parte 2.

Parte 2 de 2

2ª parte · a Baía de Todos os Santos · 1527

1527 · Pernambuco

Com quatro caravelas, Cristóvão Jaques deixa a feitoria de Pernambuco e desce a costa rumo à Bahia, atrás dos navios franceses que carregavam pau-brasil.

Os corsários

Para Portugal, eram intrusos numa costa que o Tratado de Tordesilhas lhe dava. Para a França, o mar era livre, e o pau-brasil, de quem chegasse primeiro.

1527 · Baía de Todos os Santos

No fim de junho ou em julho de 1527, Jaques entra na baía e surpreende os franceses. Um dos navios era a caravela que ele tinha mandado à Guiné, tomada pelos corsários.

A batalha

O combate dura um dia inteiro. Os navios franceses são afundados ou tomados. É tido como o primeiro combate naval do Brasil.

O Paraguaçu

Segundo frei Vicente do Salvador, Jaques achou navios franceses negociando com os indígenas no baixo Paraguaçu e os afundou. A descoberta oficial do rio é atribuída a essa expedição.

Os prisioneiros

Alguns franceses fogem para a terra. Os que se rendem, segundo a queixa do rei da França, são enforcados ou enterrados até os ombros e mortos a flechadas e tiros.

Cerca de 300 presos

Jaques volta a Pernambuco com cerca de 300 prisioneiros, depois levados a Portugal. Na França, a notícia causa escândalo.

1528 · o protesto

O rei Francisco I protesta e exige reparação. Em 1528, acusado de crueldade, Jaques perde o comando. Sua oferta de trazer mil colonos ao Brasil é recusada.

1530 · a resposta

Em 1530, o armador Jean Ango, de Dieppe, recebe do rei da França licença para atacar navios portugueses. Patrulhar não bastava: era preciso povoar a costa.

500 anos

D. João III manda Martim Afonso de Sousa ao Brasil e, em 1534, divide a costa em capitanias. Em 2027, a batalha na Baía de Todos os Santos completa 500 anos.

Para ler mais

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Fontes e conferência

Cada data foi batida com as fontes abaixo. Quando elas não concordam, a divergência fica registrada aqui.

Parte 1: 1ª parte · as armadas guarda-costas · 1516–1527

Pau-brasil valioso na Europa; a França não reconhecia o monopólio português
confirmado
Navios do norte da França (Bretanha e Normandia) iam ao Brasil buscar pau-brasil
confirmado
1516: Jaques com duas caravelas patrulha a costa contra os franceses
confirmado
1526–1527: D. João III o nomeia capitão-mor de uma nau e caravelas
fontes divergemCinco caravelas (Poder Naval, Daemon) ou seis (eBiografia); carta régia de 5/6/1526 (Daemon), armada de 1527 (Capistrano). O texto diz 'várias caravelas' e '1526–1527'.
Uma caravela mandada à Guiné
confirmadoA Wikipédia (pt) diz que um dos navios afundados na Bahia era de Jaques, tomado pelos franceses na Guiné.
Feitoria de Pernambuco/Itamaracá; náufragos espanhóis abandonados por corsários
fontes divergemFundação da feitoria: 1516, 1521 ou 1526, conforme a fonte; o texto não dá o ano. Os náufragos eram homens de D. Rodrigo de Acuña (Poder Naval).
Notícia de três ou quatro navios franceses na Baía de Todos os Santos
fontes divergemQuatro (Wikipédia pt, Poder Naval) ou três (Daemon, outras fontes). O texto diz 'três ou quatro'.
Quatro caravelas descem à Bahia; tido como o primeiro combate naval no Brasil
confirmado

Parte 2: 2ª parte · a Baía de Todos os Santos · 1527

Quatro caravelas descem de Pernambuco à Bahia
confirmado
Portugal via intrusos; a França não aceitava o monopólio
confirmado
Ataque no fim de junho ou em julho de 1527; a caravela da Guiné estava entre os franceses
fontes divergemFim de junho (Wikipédia pt) ou fim de julho (Poder Naval). O texto dá os dois.
Combate de um dia inteiro; navios franceses afundados ou tomados; primeiro combate naval do Brasil
fontes divergemNúmero de navios: três galeões (Daemon, Wikipédia en), quatro (Poder Naval, Wikipédia pt) ou dois no Paraguaçu (frei Vicente). O texto não dá o número. Poder Naval estima mais de cem mortos franceses (fonte única; fora do texto).
Frei Vicente do Salvador: navios afundados no baixo Paraguaçu; descoberta oficial do rio atribuída à expedição
confirmado
Fuga para a terra; enforcados ou enterrados até os ombros e mortos (queixa francesa)
confirmadoVem de testemunhos franceses interessados (carta de Francisco I de 6/9/1528); o texto diz 'segundo a queixa do rei da França'.
Cerca de 300 prisioneiros levados a Pernambuco e a Portugal
confirmado
Protesto de Francisco I; Jaques afastado em 1528; oferta de mil colonos recusada
confirmadoDaemon: substituído por Antônio Ribeiro em 26/10/1528.
1530: carta de corso a Jean Ango, armador de Dieppe, contra navios portugueses
confirmadoDatas de 26 ou 27 de julho de 1530. A ligação direta entre Ango e os navios de 1527 não foi confirmada; o texto não a afirma.
Martim Afonso de Sousa ao Brasil; capitanias em 1534
confirmado
2027: 500 anos da batalha
confirmadoAritmética sobre 1527.