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Histórias da Navegação

1503 – 1772 · oceano Atlântico, Brasil, Normandia

Gonneville: a nau Espoir e a Terra Austral

Esta história ainda não tem o texto completo. Por enquanto, cada trecho é uma etapa do vídeo.

Parte 1 de 2

1ª parte · a nau Espoir · 1503–1504

24 de junho de 1503 · Honfleur

O normando Binot Paulmier de Gonneville parte de Honfleur na nau Espoir, de cerca de 120 tonéis, com uns 60 homens. O destino são as Índias, pela rota aberta pelos portugueses.

Dois pilotos portugueses

Para achar o caminho, os sócios de Honfleur contrataram em Lisboa dois portugueses que já tinham ido às Índias. Portugal tentava guardar essa rota só para si.

Julho de 1503 · Canárias e Cabo Verde

A Espoir passa pelas Canárias e para no Cabo Verde para pegar água e comida fresca. Dali, segue para o sul pelo alto-mar, longe da costa da África.

12 de setembro de 1503

A nau cruza a linha do Equador, seguindo o caminho que os pilotos portugueses indicavam para chegar ao sul da África.

Fim de 1503 · perto do Cabo

Já perto do Cabo da Boa Esperança, a Espoir enfrenta ventos contrários e uma tempestade violenta, seguida de dias de calmaria. A tripulação perde a rota.

Rumo ao oeste

Sem saber onde estão, os normandos desistem das Índias e navegam para oeste, em busca de qualquer terra onde consertar a nau e se abastecer.

5 de janeiro de 1504

Eles avistam uma costa desconhecida, que chamam de Índias Meridionais. Era o sul do Brasil, provavelmente perto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

Seis meses entre os carijós

Os normandos passam cerca de seis meses entre os carijós do cacique Arosca, consertando a nau. São bem recebidos e trocam objetos por comida, penas e peles.

A cruz e o filho de Arosca

Erguem uma grande cruz de madeira com uma inscrição. Arosca aceita mandar à França o filho, o jovem Essomericq, que aprenderia a fazer as armas dos europeus.

Vinte luas

Gonneville jura trazê-lo de volta em vinte luas. Em 3 de julho de 1504, a Espoir deixa a terra dos carijós rumo à França. A volta está na parte 2.

Parte 2 de 2

2ª parte · a volta e a Terra Austral · 1504–1772

3 de julho de 1504

A Espoir deixa a terra dos carijós com Essomericq e Namoa, um carijó mais velho que ia para cuidar dele. Namoa morre de febre a bordo, e Essomericq também adoece.

Batizado no mar

Achando que o rapaz ia morrer, Gonneville manda batizá-lo e lhe dá o próprio nome: Binot. Essomericq se recupera e segue viagem.

Um desembarque fatal

Mais ao norte, os normandos descem à terra sem armas para buscar água e são atacados por indígenas hostis. Vários homens morrem ou são levados.

Na Bahia

Na altura da Bahia, a nau passa meses carregando pau-brasil, comida e outras mercadorias para a viagem de volta à França.

Rumo à Europa

Com o porão cheio, a Espoir cruza de novo o Equador. A essa altura, a viagem já tinha custado a vida de muitos homens, por doença e nos ataques.

Março de 1505 · Faial

A nau chega aos Açores e para na ilha do Faial para buscar água e comida. Dali, segue para o norte, rumo à Normandia.

7 de maio de 1505

Perto de Jersey e Guernsey, quase em casa, a Espoir é atacada por um pirata inglês e por outro bretão. Para escapar, os normandos jogam a nau contra a costa.

Maio de 1505 · Honfleur

A carga e o diário de bordo se perdem. Dos 60 que partiram, só 27 voltam a Honfleur, além de Essomericq. Eles contam a viagem ao Almirantado, em Rouen.

As vinte luas

Gonneville nunca voltou ao Brasil, e a promessa feita a Arosca não foi cumprida. Essomericq viveu o resto da vida na Normandia e se casou na família do capitão.

1663 · a Terra Austral

Um bisneto de Essomericq, o cônego Jean Paulmier, publica que o antepassado viera de uma grande terra no sul. Na França, nasce o mito da terra de Gonneville.

Bouvet e Kerguelen

Atrás dessa terra, Bouvet avista em 1739 uma ilha gelada no Atlântico Sul. Em 1772, Kerguelen acha ilhas desoladas no sul do Índico e as liga à terra de Gonneville.

Verdade ou invenção?

Desde 1991, há pesquisadores que dizem que o relato foi forjado no século XVII. A maioria dos especialistas discorda: a viagem aconteceu, e a terra era o Brasil.

Fontes e conferência

Cada data foi batida com as fontes abaixo. Quando elas não concordam, a divergência fica registrada aqui.

Parte 1: 1ª parte · a nau Espoir · 1503–1504

24 de junho de 1503: a Espoir parte de Honfleur rumo às Índias
confirmado
Nau de cerca de 120 tonéis com cerca de 60 homens
confirmado120 tonéis: d'Avezac e Maneuvrier. 60 homens: d'Avezac ('à soixante personnes'), Perrone-Moisés e Munhoz.
Dois pilotos portugueses contratados em Lisboa, veteranos da rota das Índias
confirmadoNomes na edição d'Avezac: Bastiam Moura e Diègue Cohinto.
Canárias e escala no Cabo Verde para água e víveres (julho de 1503)
confirmadod'Avezac: Canárias em 12/7, Cabo Verde de 30/7 a 9/8 de 1503.
12 de setembro de 1503: cruza o Equador
confirmado
Perto do Cabo da Boa Esperança: ventos contrários, tempestade, calmaria; perdem a rota
confirmadod'Avezac data a tempestade de 30/11/1503; o texto diz 'fim de 1503'.
Desistem das Índias e rumam para oeste
confirmado
5 de janeiro de 1504: avistam a costa; sul do Brasil, provavelmente São Francisco do Sul
fontes divergemAvistam terra em 5/1 (d'Avezac, Mollat, Perrone-Moisés) e desembarcam no dia seguinte; Maneuvrier dá 6/1. O lugar é provável, não certo: Mollat diz 'talvez' São Francisco do Sul e a Wikipédia lembra que Perrone-Moisés considera o ponto exato desconhecido.
Cerca de seis meses entre os carijós de Arosca; bem recebidos; trocas
confirmado
Erguem uma grande cruz de madeira com inscrição
confirmadod'Avezac: erguida na Páscoa (7/4/1504) com os nomes do papa, do rei, do almirante e da tripulação. O texto não dá a data.
Arosca manda o filho Essomericq para aprender a fazer as armas dos europeus
confirmadoTexto da Relation (ed. d'Avezac): prometia-se ensinar-lhes 'l'artillerie'.
Promessa de trazê-lo de volta em vinte luas
confirmadoA Relation diz 'vingt lunes'; Maneuvrier traduz por 20 meses.
3 de julho de 1504: a Espoir deixa a terra dos carijós
confirmadoMunhoz diz 'julho de 1504'.

Parte 2: 2ª parte · a volta e a Terra Austral · 1504–1772

3 de julho de 1504: partem com Essomericq e Namoa; Namoa morre de febre a bordo; Essomericq adoece
confirmado
Essomericq é batizado no mar e recebe o nome de Binot
confirmadod'Avezac: batismo em 12/9/1504.
Mais ao norte, desembarque sem armas e ataque de indígenas; homens mortos ou levados
fontes divergemLocal: perto de Porto Seguro (d'Avezac, Mollat) ou entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro, com os goitacazes (Munhoz). O texto não dá o lugar. d'Avezac data o ataque de 10/10/1504.
Meses na altura da Bahia carregando pau-brasil e víveres
confirmadod'Avezac: cerca de três meses, partida entre 21 e 25/12/1504.
A viagem custou a vida de muitos homens (31 dos 60)
confirmado
Março de 1505: escala no Faial, Açores
confirmadod'Avezac: 9/3/1505.
7 de maio de 1505: ataque de piratas inglês e bretão perto de Jersey/Guernsey; nau jogada à costa
fontes divergemIlha: Jersey (Mollat; rol de d'Avezac) ou Guernsey (Maneuvrier); d'Avezac diz 'perto das ilhas de Jersey e Guernsey'. O texto cita as duas. Piratas: Edward Blunt, de Plymouth, e Maurice Fortin, bretão.
Perda da carga e do diário; 27 dos 60 voltam a Honfleur, além de Essomericq; declaração ao Almirantado em Rouen (1505)
fontes divergemd'Avezac: 27 sem contar Essomericq; Perrone-Moisés e Munhoz: 28 (contando-o). Chegada a Honfleur em 20/5/1505 (d'Avezac). Data da declaração: 19 de junho ou 19 de julho de 1505 (d'Avezac discute as duas).
Gonneville nunca voltou; Essomericq viveu na Normandia e se casou na família do capitão
fontes divergemCasou-se com uma parente, talvez sobrinha (Munhoz, em 1521), ou com a filha de Gonneville (Wikipédia en). O texto diz 'na família do capitão'.
1663: Jean Paulmier de Courtonne, bisneto de Essomericq, publica a obra sobre a Terra Austral
confirmadoAlgumas fontes dão 1664.
Bouvet avista ilha gelada em 1739 na busca da terra austral; liga com Gonneville
confirmado1/1/1739, cabo da Circuncisão, hoje ilha Bouvet. d'Avezac cita Bouvet procurando 'onde Gonneville abordou'; a memória de Bouvet de 1740 cita Gonneville.
1772: Kerguelen acha ilhas no sul do Índico e as liga à terra de Gonneville
confirmadoAvistamento em 12 ou 13/2/1772.
Desde 1991 há quem diga que o relato é falso; a maioria dos especialistas o considera autêntico
confirmadoMargaret Sankey (desde 1991) e J. Lévêque de Pontharouart (desde 1993); respostas de Mollat, Perrone-Moisés e Maneuvrier.