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Histórias da Navegação

c. 2000 a.C. – 1976 · Taiwan, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné

Os polinésios: o povoamento do Pacífico

Esta história ainda não tem o texto completo. Por enquanto, cada trecho é uma etapa do vídeo.

Parte 1 de 4

1ª parte · de Taiwan a Samoa

Taiwan

Do Havaí à Nova Zelândia, e de Madagascar à ilha de Páscoa, falam-se umas 1.200 línguas de uma só família, a austronésia. Sua origem mais provável é Taiwan.

Taiwan · os indícios

As línguas indígenas de Taiwan são as mais variadas da família, sinal de que ela nasceu ali. O DNA antigo do Pacífico também aponta para povos da ilha, como os amis.

c. 2000 a.C. · Batanes

Por volta de 2000 a.C., agricultores e pescadores vindos de Taiwan cruzam o mar até as ilhas Batanes e o norte das Filipinas, levando uma cerâmica de engobo vermelho.

c. 1500 a.C. · as Marianas

Por volta de 1500 a.C., um grupo sai das Filipinas e cruza mais de 2 mil km de mar aberto até as ilhas Marianas, talvez a maior travessia oceânica feita até então.

Indonésia e Nova Guiné

Outros descem pelas ilhas da Indonésia e seguem pelo norte da Nova Guiné. Não é a viagem de um navegador só: é um avanço de muitas gerações, ilha após ilha.

c. 1300 a.C. · Bismarck

No arquipélago de Bismarck, perto da Nova Guiné, surge por volta de 1300 a.C. a cultura Lapita, famosa pela cerâmica decorada com carimbos dentados.

Lapita · a bagagem

Em canoas com flutuador lateral, os Lapita levavam porcos, cães, galinhas, inhame e banana. Iam povoar ilhas, não só visitá-las.

c. 1200 a.C. · Oceania Remota

Depois das ilhas Salomão começa a Oceania Remota: ilhas que nenhum ser humano tinha pisado. Os Lapita chegam às ilhas Santa Cruz por volta de 1200 a.C.

Vanuatu · Teouma

Em Vanuatu, o cemitério de Teouma, de cerca de 3 mil anos, guardou alguns dos primeiros moradores. O DNA deles lembra mais o de Taiwan e das Filipinas que o dos papuas.

c. 1000 a.C. · Fiji

Por volta de 1000 a.C., os Lapita chegam a Fiji, depois de passar pela Nova Caledônia. Em Bourewa, em Viti Levu, os primeiros moradores viviam do mar e do recife.

Tonga

Em Tongatapu, no atual reino de Tonga, a aldeia de Nukuleka é tida como uma das primeiras da Polinésia, ocupada entre 900 e 750 a.C., aproximadamente.

Samoa

Pouco depois, chegam a Samoa. Ali e em Tonga nasce a cultura polinésia, e ali a expansão para por mais de mil anos. A 2ª parte conta o salto seguinte.

Parte 2 de 4

2ª parte · o coração da Polinésia

c. 800 a.C. · Samoa e Tonga

Por volta de 800 a.C., os descendentes dos Lapita vivem em Samoa e em Tonga. Ali, isolados por séculos, desenvolvem a língua e a cultura que hoje chamamos de polinésias.

A longa pausa

Então a expansão para. Por 1.700 a 2.000 anos, conforme o estudo, ninguém parece ter ido além. Os arqueólogos chamam esse tempo de 'a longa pausa'.

Tonga, Samoa e Fiji

As ilhas de Tonga, Samoa e Fiji seguem ligadas por viagens. Mas o leste continua vazio: para aquele lado, o vento alísio sopra quase sempre contra.

Por que pararam?

Ninguém sabe ao certo por que a pausa durou tanto. As hipóteses incluem a falta de canoas capazes de vencer o alísio e mudanças no clima e nos ventos do Pacífico.

c. 1000 d.C. · a partida

Por volta do ano 1000, a pausa acaba. Em grandes canoas de casco duplo, os polinésios partem para o leste, rumo a ilhas a mais de mil quilômetros dali.

Ilhas Cook

Um estudo genético de 2021 sugere que as ilhas Cook, como Rarotonga, foram alcançadas já por volta do ano 830. A arqueologia, por enquanto, não achou sinais tão antigos.

c. 1025–1120 · Sociedade

Pela datação mais precisa, de 2011, as ilhas da Sociedade, como Taiti e Raiatea, estão entre as primeiras da Polinésia Oriental a ser ocupadas, entre 1025 e 1120.

Raiatea · Taputapuātea

Em Raiatea fica Taputapuātea, um grande marae, centro religioso e de navegação da região, onde se reuniam sacerdotes e navegadores. É Patrimônio Mundial da Unesco desde 2017.

c. 1100 · Tuamotu

Mais a leste, os atóis baixos de Tuamotu, que mal se veem de longe, são alcançados por volta do ano 1100, segundo o estudo genético.

Marquesas

As ilhas Marquesas, a nordeste, são ocupadas entre os séculos XII e XIII. De Tuamotu e das Marquesas sairiam as viagens para os extremos do Pacífico.

Dois ou três séculos

Depois da longa pausa, tudo foi rápido: em dois a três séculos, quase toda a Polinésia Oriental estava ocupada. Faltavam os três vértices do triângulo.

Parte 3 de 4

3ª parte · os vértices do triângulo

Polinésia Oriental

Das Marquesas, de Tuamotu e das ilhas da Sociedade partem as últimas grandes viagens. Os alvos são os três vértices do chamado triângulo polinésio.

Rumo ao norte

O Havaí fica milhares de quilômetros ao norte, do outro lado do equador. Uma travessia dessas, em mar aberto, levava semanas.

c. 1000–1200 · Havaí

O Havaí é povoado entre os anos 1000 e 1200, aproximadamente. A datação de 2011 prefere uma chegada ainda mais tarde, depois de 1190.

Ida e volta

As viagens não eram só de ida. Uma enxó de pedra achada em Tuamotu foi feita com basalto da ilha havaiana de Kahoʻolawe: prova de contato entre o Havaí e o sul.

Mangareva e Pitcairn

A leste ficam Mangareva e as ilhas Pitcairn. Outras enxós achadas em Tuamotu vinham dali, das Marquesas e das Austrais: as ilhas formavam uma rede.

c. 1200 · Rapa Nui

Por volta de 1200, os polinésios chegam a Rapa Nui, a ilha de Páscoa, o vértice leste do triângulo. Pouco depois, começariam a erguer ali os moai.

América do Sul

Estudos de DNA indicam um contato entre polinésios e indígenas da América do Sul por volta de 1200. A batata-doce, planta americana, chegou à Polinésia antes dos europeus.

O último vértice

O último vértice fica a sudoeste, longe do calor dos trópicos. Partindo da Polinésia Oriental, possivelmente das ilhas Cook, canoas rumam para uma terra grande e fria.

c. 1250–1300 · Aotearoa

Entre 1250 e 1300, aproximadamente, canoas de casco duplo chegam a Aotearoa, a Nova Zelândia: a última grande terra habitável a ser povoada pelo ser humano.

Aotearoa · a bagagem

Trouxeram plantas como o taro e a kūmara, a batata-doce, além do cão e do kiore, o rato do Pacífico. No clima frio, só parte das plantas tropicais vingou.

O triângulo

Assim se fechou o triângulo polinésio: do Havaí à Nova Zelândia e a Rapa Nui, milhares de ilhas povoadas por um só povo de navegadores.

Parte 4 de 4

4ª parte · como navegavam

1º de maio de 1976 · Maui

A canoa Hōkūleʻa, réplica de uma canoa polinésia de casco duplo, deixa a baía de Honolua, em Maui, rumo ao Taiti. A bordo, nenhum instrumento de navegação.

A pergunta

Por muito tempo, estudiosos ocidentais disseram que os polinésios acharam as ilhas por acaso, à deriva. A Polynesian Voyaging Society, criada em 1973, quis testar o contrário.

O navegador

Para guiar a canoa, a sociedade chama Mau Piailug, da pequena ilha de Satawal, na Micronésia, mestre da navegação tradicional.

As estrelas

À noite, o navegador se guia pelo ponto do horizonte onde cada estrela nasce e se põe. A 'bússola estelar' havaiana, criada depois, divide o horizonte em 32 casas.

As ondulações

De dia ou sob nuvens, ele sente as ondulações do mar, mais constantes que as ondas do vento. Mau conseguia distinguir quatro ou cinco ao mesmo tempo.

Perto do equador

Perto do equador, a canoa cruza as calmarias: vento fraco e mar confuso, onde ler as ondulações fica difícil.

As aves e as nuvens

Perto de terra, aves como a andorinha-do-mar ajudam: saem de manhã para pescar e voltam à ilha à tarde. Nuvens paradas no horizonte também denunciam ilhas.

1º de junho · Mataiva

Depois de 31 dias no mar, a tripulação avista Mataiva, um atol do arquipélago de Tuamotu. A canoa achou a Polinésia sem bússola, sem mapas e sem relógio.

4 de junho · Papeete

No dia 4 de junho, a Hōkūleʻa entra no porto de Papeete, no Taiti. Mais de 17 mil pessoas esperam pela canoa.

O que a viagem provou

A viagem mostrou que os antigos polinésios podiam ter navegado de propósito, por milhares de quilômetros, sem instrumentos. A tese da deriva perdeu força.

Até hoje

Entre 2014 e 2017, a Hōkūleʻa deu a volta ao mundo com o mesmo método. Navegadores como Nainoa Thompson, aluno de Mau, mantêm a arte viva.

Fontes e conferência

Cada data foi batida com as fontes abaixo. Quando elas não concordam, a divergência fica registrada aqui.

Parte 1: 1ª parte · de Taiwan a Samoa

Família austronésia: c. 1.200 línguas, de Madagascar à ilha de Páscoa; origem provável em Taiwan
confirmadoHá uma minoria que defende uma origem mais difusa no Sudeste Asiático; o texto diz 'mais provável'.
Línguas de Taiwan mais diversas; DNA aponta para povos como os amis
confirmado
c. 2000 a.C.: de Taiwan às Batanes e norte das Filipinas, com cerâmica de engobo vermelho
fontes divergemBellwood e Dizon: 'nos séculos em torno de 2000 a.C.'; a fase de cerâmica vermelha vai de 2500 a 1000 a.C.; outra fonte: 'há 4 mil anos'. O texto dá 'por volta de 2000 a.C.'.
c. 1500 a.C.: Filipinas às Marianas, mais de 2 mil km de mar aberto
fontes divergemData e distância confirmadas; se foi uma só viagem ou várias é discutido (MicSem, Guampedia).
Avanço pela Indonésia e norte da Nova Guiné ao longo de gerações
confirmado
Lapita surge no arquipélago de Bismarck c. 1300 a.C.; cerâmica dentada
fontes divergemSummerhayes: 3300–3200 anos atrás (c. 1300 a.C.); uma reanálise bayesiana propôs c. 3500 anos. O texto dá 'por volta de 1300 a.C.'.
Canoas com flutuador; porcos, cães, galinhas, inhame e banana
confirmado
Oceania Remota: Santa Cruz c. 1200 a.C.
confirmadoMcNiven: c. 3200 cal BP; Scientific Reports 2025: ~3,2 mil anos.
Teouma: cemitério de c. 3 mil anos; DNA próximo de Taiwan/Filipinas, pouco papua
confirmadoEstudos de 2018 refinaram a época da mistura com ancestrais papuas; o texto fala só dos primeiros moradores.
Fiji c. 1000 a.C., via Nova Caledônia; Bourewa vivia do mar
fontes divergemNunn: Bourewa em c. 1100 a.C.; McNiven: Fiji c. 3000 cal BP; Petchey (Mulifanua): Fiji/Tonga em 900–750 a.C. O texto dá 'por volta de 1000 a.C.'.
Nukuleka (Tongatapu), uma das primeiras aldeias da Polinésia, c. 900–750 a.C.
fontes divergemA data exata da primeira ocupação de Tonga é discutida; o texto dá a faixa 900–750 a.C., 'aproximadamente'.
Samoa (Mulifanua) logo depois; cultura polinésia nasce em Samoa e Tonga; pausa de mais de mil anos
confirmadoMulifanua: 930–800 a.C. A pausa dura c. 1.700 anos (SLH, Conversation) ou c. 2.000 (HAL); o texto diz 'mais de mil anos'.

Parte 2: 2ª parte · o coração da Polinésia

Samoa e Tonga c. 800 a.C.; ali se forma a cultura polinésia
confirmado
A longa pausa: 1.700 a 2.000 anos
fontes divergemSLH e The Conversation: c. 1.700 anos; HAL: c. 2.000. O texto dá a faixa.
Tonga, Samoa e Fiji ligadas por viagens; alísio contrário a leste
confirmado
Motivo da pausa incerto: canoas e/ou clima e ventos
confirmado
Por volta do ano 1000, partida em canoas de casco duplo
fontes divergemThe Conversation: entre 900 e 1100; Wilmshurst: a partir de 1025. O texto diz 'por volta do ano 1000'.
Estudo genético de 2021: Rarotonga c. 830; sem confirmação arqueológica
fontes divergemA genética (Ioannidis 2021) dá c. 830; a datação por radiocarbono não acha ocupação antes de c. 1025.
Ilhas da Sociedade ocupadas em 1025–1120 (datação de 2011)
confirmado
Taputapuātea, centro religioso e de navegação; Unesco 2017
confirmado
Tuamotu c. 1100 (estudo genético)
confirmado
Marquesas nos séculos XII–XIII
confirmadoWilmshurst: 2ª onda em 1190–1290; Ioannidis: séculos XII–XIII.
Ocupação de quase toda a Polinésia Oriental em dois a três séculos
confirmado

Parte 3: 3ª parte · os vértices do triângulo

Últimas grandes viagens partem da Polinésia Oriental rumo aos vértices do triângulo
confirmado
Havaí ao norte, além do equador; travessia de semanas
confirmadoA Hōkūleʻa levou 31 dias até avistar terra em 1976.
Havaí povoado c. 1000–1200; Wilmshurst prefere depois de 1190
fontes divergemKirch 2011: 1000–1200 (modelo bayesiano 1040–1219); Wilmshurst 2011: 1190–1290. O texto dá as duas.
Enxó de basalto de Kahoʻolawe achada em Tuamotu (Collerson e Weisler, 2007)
confirmado
Outras enxós de Tuamotu vindas das Marquesas, Austrais, Sociedade e Pitcairn
confirmado
Rapa Nui c. 1200; moai começam pouco depois
confirmadoDiNapoli 2020: século XIII; Ioannidis 2021: c. 1210.
Contato com indígenas sul-americanos c. 1200; batata-doce antes dos europeus
fontes divergemNão se sabe quem navegou até quem; críticos notam que a data antecede a arqueologia de algumas ilhas.
Aotearoa a sudoeste; partida da Polinésia Oriental, possivelmente das ilhas Cook
confirmadoA ilha exata de partida não é conhecida; o texto diz 'possivelmente'.
Aotearoa c. 1250–1300, canoas de casco duplo; última grande terra povoada
confirmado
Taro, kūmara, cão e kiore; parte das plantas tropicais não vingou
confirmadoSe o kiore veio de propósito ou escondido é discutido (Te Ara x Science Learning Hub).
Triângulo Havaí–Nova Zelândia–Rapa Nui
confirmado

Parte 4: 4ª parte · como navegavam

1º/5/1976: Hōkūleʻa sai de Honolua (Maui) rumo ao Taiti, sem instrumentos
confirmado
Tese da deriva acidental; PVS fundada em 1973 para testá-la
confirmado
Mau Piailug, de Satawal (Micronésia), navegador
confirmado
Navegação pelo nascer e pôr das estrelas; bússola estelar havaiana de 32 casas
confirmado
Ondulações mais constantes que as ondas; Mau sentia quatro ou cinco
confirmado
Calmarias equatoriais: mar confuso dificulta ler as ondulações
confirmadoDatas intermediárias do contador são aproximadas.
Andorinhas-do-mar saem de manhã e voltam à tarde; nuvens sobre ilhas
confirmado
Mataiva avistada após 31 dias (1º/6)
confirmado
Papeete em 4/6/1976; mais de 17 mil pessoas
confirmado
A viagem enfraqueceu a tese da deriva
confirmado
Volta ao mundo 2014–2017; Nainoa Thompson, aluno de Mau
confirmado