c. 1350 a.C. – 1994 · Egito, Canaã, Síria, Chipre
O naufrágio de Uluburun
Esta história ainda não tem o texto completo. Por enquanto, cada trecho é uma etapa do vídeo.
Parte 1 de 2
1ª parte · as rotas da Idade do Bronze
c. 1350 a.C. · Egito
No século XIV a.C., os reis do Egito, de Chipre, da Babilônia e dos hititas se tratam por 'irmão' em cartas e trocam presentes caros.
As cartas de Amarna
Essas cartas foram achadas em Amarna, no Egito. Numa delas, o rei de Alashiya, quase certamente Chipre, diz ao faraó que mandou 500 talentos de cobre.
O bronze
O bronze era o metal mais importante da época, feito de cobre misturado com estanho. Quem controlava esses dois metais controlava a guerra e as ferramentas.
Canaã
Na costa de Canaã, onde hoje ficam Israel e o Líbano, mercadores carregavam navios com resina, vidro, tecidos e objetos de luxo.
O vidro
Lingotes de vidro azul, feitos no Egito e na Mesopotâmia, eram mercadoria de luxo e viajavam por mar até a Grécia.
Ugarit
Ugarit, no norte da Síria, era um dos grandes portos do Mediterrâneo, cheio de mercadores de muitos povos e línguas.
O estanho
O estanho vinha de longe. Parte dele saía das montanhas da Turquia; outra parte, das minas do atual Uzbequistão, a milhares de quilômetros.
Chipre
Chipre era a grande fonte de cobre. O metal viajava em lingotes com a forma de couro de boi, fáceis de empilhar e de carregar.
Um navio
Por volta de 1300 a.C., um navio carregado com tudo isso sai dessa região rumo ao oeste. Ele nunca chegou. A 2ª parte conta o que aconteceu.
Parte 2 de 2
2ª parte · o navio de Uluburun
c. 1300 a.C. · Chipre
Um navio de uns 15 metros, feito de cedro do Líbano, contorna Chipre rumo ao oeste. Leva a carga mais rica já achada no fundo do Mediterrâneo antigo.
A tripulação
A bordo há mercadores cananeus e, pelos objetos pessoais, pelo menos duas pessoas da Grécia micênica. O destino era provavelmente a Grécia.
A costa da Lícia
O navio segue a costa sul da atual Turquia, por uma rota usada há séculos, de cabo em cabo.
O naufrágio
Perto do cabo de Uluburun, junto da atual Kaş, o navio afunda e vai parar a mais de 40 metros de profundidade. Não se sabe por quê.
1982
Mais de 3.200 anos depois, em 1982, um mergulhador de esponjas vê no fundo do mar 'biscoitos de metal com orelhas'. Eram lingotes de cobre.
A escavação
O Instituto de Arqueologia Náutica escava o navio de 1984 a 1994: foram 11 temporadas e mais de 22 mil mergulhos.
A carga
Havia cerca de 10 toneladas de cobre de Chipre, 1 tonelada de estanho, lingotes de vidro, ébano, marfim, âmbar do Báltico, ouro e prata.
Sete povos
Os objetos vinham de vários povos: Canaã, Chipre, Egito, Mesopotâmia, Grécia micênica, a Itália e o Báltico. Era uma economia que já ligava continentes.
A data
A madeira e a cerâmica datam o naufrágio do fim do século XIV a.C., entre 1330 e 1300 a.C., mais ou menos. Hoje a carga está no museu de Bodrum, na Turquia.
Fontes e conferência
Cada data foi batida com as fontes abaixo. Quando elas não concordam, a divergência fica registrada aqui.
Parte 1: 1ª parte · as rotas da Idade do Bronze
- 'Now I have sent you 500 (talents) of copper': the Amarna Letter EA 35 (AURA, 2020)Universidade de Atenas
- Pulak, The Uluburun Shipwreck and Late Bronze Age Trade (2008)Cemal Pulak (INA), via Penn State
- Bronze Age tin from Uzbekistan and Anatolia on the Uluburun shipScienceDaily
- Shipwrecks and Submerged Worlds: Cyprus, trade and EgyptUniversity of Southampton (MOOC)
- Findings from 3,000-year-old Uluburun shipwreck reveal complex trade network (Science Advances, 2022)Washington University in St. Louis
- Uluburun ShipwreckWorld History Encyclopedia
- Amarna letter EA 35Wikipedia (en)
- Uluburun shipwreckWikipedia (en)
- Reis do Egito, Chipre, Babilônia e hititas trocam cartas ('irmão') e presentes
- confirmado
- Cartas de Amarna; rei de Alashiya (Chipre) manda 500 talentos de cobre
- fontes divergemAlashiya = Chipre é a identificação aceita pela maioria; um artigo de 2020 propõe outra unidade de peso para os '500'. O texto diz 'quase certamente Chipre'.
- Bronze = cobre + estanho
- confirmado
- Mercadores de Canaã; resina, vidro, objetos de luxo
- confirmado
- Lingotes de vidro do Egito e da Mesopotâmia
- confirmado
- Ugarit, grande porto cosmopolita
- confirmado
- Estanho da Turquia (Kestel) e do Uzbequistão (Mušiston)
- confirmadoEstudo de 2022: cerca de 1/3 do Uzbequistão e 2/3 de Kestel, na carga de Uluburun.
- Cobre de Chipre em lingotes 'couro de boi'
- confirmado
- Navio sai rumo ao oeste c. 1300 a.C.
- confirmado
Parte 2: 2ª parte · o navio de Uluburun
- World's oldest shipwreck reveals incredible cargoHeritageDaily
- Pulak, The Uluburun Shipwreck and Late Bronze Age Trade (2008)Cemal Pulak (INA), via Penn State
- Uluburun ShipwreckWorld History Encyclopedia
- Uluburun shipwreckWikipedia (en)
- Navio de c. 15 m, cedro do Líbano; carga mais rica do Mediterrâneo antigo
- confirmado
- Mercadores cananeus e ao menos dois micênicos; destino provável a Grécia
- fontes divergemO destino é dedução da carga: Grécia continental (WHE), Rodes ou o Egeu (Wikipédia).
- Rota pela costa sul da Anatólia
- confirmado
- Afunda perto do cabo de Uluburun (Kaş), a 44–61 m; causa desconhecida
- confirmado
- Achado em 1982 por um mergulhador de esponjas ('biscoitos de metal com orelhas')
- confirmado
- Escavação do INA, 1984–1994, 11 temporadas, mais de 22 mil mergulhos
- confirmado22.413 mergulhos (Wikipédia); 'mais de 22.400' (WHE).
- c. 10 t de cobre, 1 t de estanho, vidro, ébano, marfim, âmbar, ouro e prata
- fontes divergemO número de lingotes de cobre varia (348, 350 ou 354); o texto usa só o peso, 'cerca de 10 toneladas'.
- Objetos de vários povos (Canaã, Chipre, Egito, Mesopotâmia, micênicos, Itália, Báltico)
- confirmado
- Data: fim do séc. XIV a.C. (c. 1330–1300); acervo em Bodrum
- fontes divergemDendrocronologia: c. 1305 a.C. (amostra sem casca); recalibração: c. 1327 a.C.; WHE: 1330–1300 a.C.