1433 – 1488 · Algarve, Canárias, Saara Ocidental, Mauritânia
Antes de Vasco da Gama (1433–1488)
Esta história ainda não tem o texto completo. Por enquanto, cada trecho é uma etapa do vídeo.
Parte 1 de 3
1ª parte · Gil Eanes e o cabo Bojador · 1433–1460
1433 · Lagos
No Algarve, o infante D. Henrique quer saber o que há além do cabo Bojador, o limite da costa da África conhecida pelos europeus. Seus navios sempre voltavam antes.
1433 · ilhas Canárias
Em 1433, o escudeiro Gil Eanes recebe a missão de passar o cabo. Mas vai só até as ilhas Canárias e volta sem cumpri-la.
1434 · cabo Bojador
No ano seguinte, Gil Eanes tenta de novo e passa o Bojador. Os marinheiros temiam os baixios, as correntes e um mar de onde se dizia que não havia volta.
1434 · além do Bojador
Como prova, leva ao infante umas plantas colhidas na praia, as 'rosas de Santa Maria'. D. Henrique o faz cavaleiro.
1435 · além do Bojador
Em 1435, Gil Eanes e Afonso Gonçalves Baldaia descem cerca de 50 léguas além do cabo e acham rastros de homens e de camelos.
1441 · cabo Branco
Em 1441, Nuno Tristão chega ao cabo Branco. No mesmo ano, Antão Gonçalves leva para Portugal os primeiros africanos capturados nessa costa.
1444 · Arguim
Em 1444, uma frota de Lagos ataca aldeias da região de Arguim e leva centenas de cativos. Começava o tráfico português de escravizados.
c. 1445 · cabo Verde
Por volta de 1445, Dinis Dias chega ao cabo Verde, a ponta mais ocidental da África, onde o deserto dá lugar a terras verdes.
Anos 1450 · Senegal e Gâmbia
Nos anos 1450, navegadores como o veneziano Cadamosto, a serviço do infante, sobem os rios Senegal e Gâmbia.
1460 · Serra Leoa
Quando D. Henrique morre, em 1460, as caravelas portuguesas já tinham chegado à Serra Leoa. O caminho para o sul estava aberto.
Parte 2 de 3
2ª parte · Diogo Cão e os padrões · 1482–1486
1482 · Lisboa
O rei D. João II manda Diogo Cão descer a costa da África além de tudo o que os portugueses conheciam. Ele leva padrões de pedra para marcar as terras alcançadas.
1482 · golfo da Guiné
No golfo da Guiné, os portugueses começavam a erguer o castelo de São Jorge da Mina, base do comércio de ouro da região.
1482 · foz do Congo
Cão chega à foz de um rio enorme, o Zaire, hoje Congo. Na ponta da margem sul, ergue o primeiro padrão, dedicado a São Jorge.
1482 · reino do Congo
Ao saber que um rei poderoso, o manicongo, vive terra adentro, Cão manda mensageiros até ele. Na volta, leva quatro africanos para Portugal.
1483 · cabo de Santa Maria
Mais ao sul, no litoral da atual Angola, Cão ergue um segundo padrão, no cabo de Santa Maria, e volta para Lisboa.
1485 · rio Congo
Numa segunda viagem, Cão volta ao Congo, devolve os africanos e sobe o rio até as cachoeiras de Ielala, onde grava uma inscrição na rocha.
1485–1486 · cabo Negro
Depois segue para o sul e ergue mais padrões. Um deles fica no cabo Negro, no sul de Angola.
1485–1486 · cabo da Cruz
No cabo da Cruz, na atual Namíbia, ergue o último padrão. É o ponto mais ao sul da sua viagem, mais de mil quilômetros além do Congo.
1486 · o fim de Diogo Cão
Não se sabe ao certo o que aconteceu com Diogo Cão. Um mapa de 1489 diz que ele morreu ali; outros relatos o fazem voltar ao Congo e a Portugal.
Parte 3 de 3
3ª parte · Bartolomeu Dias e o fim da África · 1487–1488
1487 · Lisboa
Em 1487, Bartolomeu Dias sai de Lisboa com duas caravelas e um navio de mantimentos. A missão dada por D. João II: achar o fim da África.
1487 · foz do Congo
Dias passa pelos lugares marcados por Diogo Cão e segue além do último padrão, por águas que nenhum europeu tinha navegado.
Dezembro de 1487 · Namíbia
Em dezembro, a frota chega ao litoral desértico da atual Namíbia. Mais ao sul, numa baía, Dias deixa o navio de mantimentos com nove homens.
Janeiro de 1488 · Atlântico Sul
Ventos fortes empurram as caravelas para o sul, longe da costa, durante dias. Sem saber, elas passam ao largo do extremo sul da África.
Janeiro de 1488 · Atlântico Sul
Quando o tempo melhora, Dias navega para o leste e não acha terra. Então vira para o norte.
Fevereiro de 1488 · Mossel Bay
No começo de fevereiro, chegam a uma baía com muito gado, na atual África do Sul. A costa agora corria para o leste: tinham passado o fim da África.
Fevereiro de 1488 · Mossel Bay
Os pastores khoikhoi trocam animais com os portugueses, mas depois atacam o grupo que buscava água. Um deles é morto por uma seta de besta.
12 de março de 1488 · Kwaaihoek
Dias ergue o padrão de São Gregório em Kwaaihoek. Fragmentos dele foram achados em 1938 e hoje estão numa universidade de Joanesburgo.
Março de 1488 · rio do Infante
Poucos dias depois, a tripulação, cansada e com pouca comida, obriga Dias a voltar. O caminho para a Índia estava aberto, mas ele não pôde segui-lo.
Junho de 1488 · o cabo
Na volta, os portugueses enfim veem o cabo que tinham contornado sem saber, e erguem ali mais um padrão.
Junho de 1488 · o nome do cabo
Segundo João de Barros, Dias o chamou de cabo Tormentoso, e o rei trocou o nome. Outros relatos dizem que o nome já era cabo da Boa Esperança.
Julho de 1488 · Namíbia
Ao reencontrar o navio de mantimentos, só três dos nove homens estavam vivos. Dias o queima e segue para casa.
Dezembro de 1488 · Lisboa
Dias chega a Lisboa em dezembro de 1488, 16 meses depois. Nove anos mais tarde, Vasco da Gama usaria esse caminho para chegar à Índia.
Fontes e conferência
Cada data foi batida com as fontes abaixo. Quando elas não concordam, a divergência fica registrada aqui.
Parte 1: 1ª parte · Gil Eanes e o cabo Bojador · 1433–1460
- Henry the Navigator (Catholic Encyclopedia, 1910)Catholic Encyclopedia / Catholic Answers
- Prince Henry the Navigator (Research Starters)EBSCO
- Gil Eanes (verbete)Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa, CHAM, FCSH/Universidade NOVA de Lisboa
- Henry the NavigatorNew World Encyclopedia
- Afonso Gonçalves BaldaiaWikipedia (en)
- Cape BojadorWikipedia (en)
- Gil EanesWikipedia (en)
- Crónica dos feitos da Guiné (c. 1453), caps. 8–9 e seguintesGomes Eanes de Zurara
- D. Henrique manda navios além do Bojador; voltavam antes do cabo
- confirmado
- 1433: Gil Eanes vai só até as Canárias
- confirmado
- 1434: Gil Eanes passa o cabo Bojador; medo dos marinheiros
- fontes divergemAlgumas fontes dão 1433 ou 1435; a maioria e a EVE dão 1434. A identificação do cabo também é discutida (alguns autores propõem o cabo Juby).
- Rosas de Santa Maria como prova; armado cavaleiro
- confirmado
- 1435: Gil Eanes e Baldaia, 50 léguas além do cabo, rastros de homens e camelos
- confirmado
- 1441: Nuno Tristão no cabo Branco; Antão Gonçalves leva os primeiros cativos
- confirmado
- 1444: frota de Lagos em Arguim leva centenas de cativos
- confirmadoEVE: Gil Eanes captura 165 em Naar nessa frota de Lançarote.
- Cabo Verde por Dinis Dias por volta de 1445
- fontes divergem1444 ou 1445, conforme a fonte. O texto diz 'por volta de 1445'.
- Cadamosto nos rios Senegal e Gâmbia nos anos 1450
- confirmado
- Morte de D. Henrique em 1460; caravelas na Serra Leoa
- confirmado
Parte 2: 2ª parte · Diogo Cão e os padrões · 1482–1486
- Diogo CãoEncyclopaedia Britannica
- Padrão (registro de acervo, viagem de Diogo Cão)The Metropolitan Museum of Art
- Ainda a cronologia das viagens de Diogo CãoUniversidade de Coimbra (repositório)
- Forts and Castles, Volta, Greater Accra, Central and Western Regions (São Jorge da Mina, 1482)UNESCO World Heritage Centre
- Diogo CãoWikipedia (en)
- Elmina CastleWikipedia (en)
- D. João II manda Diogo Cão além da costa conhecida, com padrões de pedra
- confirmado
- Castelo de São Jorge da Mina começando em 1482
- confirmado
- Foz do Congo e primeiro padrão, de São Jorge
- fontes divergemAgosto de 1482 (Britannica) ou 1483 (Met); a cronologia das viagens é discutida (Universidade de Coimbra). O rótulo diz 1482.
- Mensageiros ao manicongo; quatro africanos levados a Portugal
- confirmado
- Padrão do cabo de Santa Maria e volta a Lisboa
- fontes divergemO Met associa o segundo padrão ao cabo do Lobo; a Britannica e a Wikipédia ao cabo de Santa Maria.
- Segunda viagem: volta ao Congo, devolve os africanos, sobe até Ielala e grava inscrição
- confirmado
- Padrão do cabo Negro
- confirmado
- Último padrão no cabo da Cruz (Namíbia), ponto mais ao sul
- fontes divergem1485 (estudo de Coimbra, pelas datas gravadas) ou 1486 (Britannica). O rótulo diz 1485–1486.
- Destino incerto de Diogo Cão
- fontes divergemMapa de Martellus (1489): morreu no cabo da Cruz; João de Barros: voltou ao Congo.
Parte 3: 3ª parte · Bartolomeu Dias e o fim da África · 1487–1488
- Diogo CãoEncyclopaedia Britannica
- Bartolomeu Dias (Catholic Encyclopedia, 1913)Catholic Encyclopedia / Wikisource
- How Portugal Conquered the Indian Ocean Spice TradeTheCollector
- Bartolomeu Dias double le cap de Bonne-EspéranceHérodote.net
- Bartolomeu Dias (biografia e itinerário datado)South African History Online
- Bartolomeu DiasWikipedia (en)
- Partida de Lisboa em 1487 com duas caravelas e um navio de mantimentos
- fontes divergemFim de julho ou começo de agosto de 1487 (Catholic Encyclopedia); agosto (SAHO). O texto diz '1487'.
- Dias passa além do último padrão de Diogo Cão
- confirmado
- Costa da Namíbia em dezembro de 1487; navio de mantimentos deixado com nove homens
- confirmadoWalvis Bay provável em 8 de dezembro (SAHO).
- Ventos empurram as caravelas para o sul; passam o extremo sul sem ver
- confirmado
- Navegam para leste, depois para o norte
- confirmado
- Chegada a Mossel Bay no começo de fevereiro de 1488; gado dos khoikhoi
- fontes divergem3 (Hérodote, Biography) ou 4 de fevereiro (Wikipédia). O texto diz 'começo de fevereiro'.
- Troca e depois ataque dos khoikhoi; um morto por besta
- confirmado
- Padrão de São Gregório em Kwaaihoek em 12 de março de 1488; achado em 1938; Universidade do Witwatersrand
- confirmado
- Tripulação obriga Dias a voltar no rio do Infante
- fontes divergemO rio do Infante foi identificado com o Great Fish; hoje se propõe o Keiskamma (SAHO).
- Na volta, veem o cabo e erguem um padrão em 6 de junho de 1488
- fontes divergemO padrão de São Filipe é citado pelos cronistas, mas nunca foi achado (SAHO).
- Nome: cabo Tormentoso (Barros) ou Boa Esperança desde o início (Pacheco Pereira)
- fontes divergemO texto dá as duas versões.
- Só três dos nove homens vivos; navio de mantimentos queimado
- confirmado
- Volta a Lisboa em dezembro de 1488, após 16 meses e 17 dias
- confirmado