Histórias da Navegação · @historias.da.navegacao
Pítias de Massália: o grego que foi ao fim do mundo (fim do século IV a.C.)
- Período
- c. 330 a.C. – c. 320 a.C.
- Onde
- Massália, Mediterrâneo, Gibraltar, Ibéria, Bretanha, Cornualha, Britânia, Órcadas, Tule, Atlântico Norte, Mar do Norte
- Quem
- Pítias de Massália, Estrabão, Plínio, Políbio
Parte 1: 1ª parte · de Massália à Britânia
- Fim do século IV a.C. · MassáliaMassália, a atual Marselha, é uma colônia grega no sul da Gália. No fim do século IV a.C., um cidadão dela, Pítias, parte para o norte desconhecido.
- Massália · o cientistaPítias também era astrônomo. Com um gnômon, uma haste que mede a sombra do Sol, calculou com boa precisão a latitude da sua cidade.
- As Colunas de HérculesPara sair do Mediterrâneo, é preciso passar pelas Colunas de Hércules, o estreito de Gibraltar, controlado pelos cartagineses, rivais dos gregos no comércio.
- O OceanoDo outro lado do estreito começa o Oceano, como os gregos chamavam o Atlântico. Pítias segue para o norte pela costa da Ibéria.
- A ponta da BretanhaNa ponta da Bretanha, na atual França, ele passa pela ilha de Uxisama, hoje Ouessant, segundo o que Estrabão cita do seu relato.
- BelérionDo outro lado do mar, chega a Belérion, a atual Cornualha. Os moradores extraem estanho, metal precioso para fazer bronze, e o vendem para o continente.
- Belérion · o estanhoSegundo Diodoro, que provavelmente usou o relato de Pítias, o estanho era levado na maré baixa até uma ilha, Íctis, onde mercadores o compravam.
- A PretâniaPítias chama a grande ilha de Pretânia, e seus moradores, de pretânicos. Desse nome viria, séculos depois, a palavra Britânia.
- O relato perdidoO livro de Pítias, 'Sobre o Oceano', se perdeu. Só restam trechos citados por autores posteriores, muitos deles desconfiados do que ele contou.
Parte 2: 2ª parte · Tule e o mar congelado
- BelérionDa Cornualha, Pítias segue para o norte ao longo da Pretânia. Pelo que contou, deu a volta na ilha inteira, em parte a pé, segundo Estrabão.
- PretâniaEle descreve a ilha como um triângulo e estima o comprimento dos três lados. O formato bate; os números saíram com quase o dobro do real.
- As ÓrcadasNo norte da ilha, fala de marés enormes. Pítias é o primeiro autor conhecido a ligar as marés à Lua.
- TuleSegundo Estrabão, Pítias disse que, seis dias de navegação ao norte da Pretânia, ficava Tule, a terra mais ao norte de que tinha notícia.
- Tule · o Sol da meia-noiteAli, no verão, o Sol quase não se põe. Pítias é o primeiro autor conhecido a descrever as noites curtas do extremo norte.
- O mar congeladoUm dia além de Tule, descreve um mar coagulado, onde terra, água e ar não se separam, como um 'pulmão marinho'. Hoje se pensa em gelo flutuante e neblina.
- Onde fica Tule?Ninguém sabe onde ficava Tule: na Islândia, na Noruega, nas Shetland ou nas Órcadas. O mapa mostra a hipótese da Islândia, defendida por Barry Cunliffe.
- KantionDe volta ao sul, Pítias passa pelo Kantion, o atual Kent, a ponta da ilha voltada para a Gália.
- A ilha do âmbarSegundo Plínio, Pítias chegou a uma ilha onde o mar trazia âmbar para a praia, talvez Heligolândia, no mar do Norte. Há quem pense que ele foi até o Báltico.
- O 'mentiroso'Séculos depois, Estrabão chamou Pítias de grande mentiroso. Hoje, boa parte do que ele contou é vista como observação real do extremo norte.
Onde as fontes não concordam
- Pítias, cidadão de Massália (colônia grega), parte no fim do século IV a.C.. Data: c. 330–325 a.C. (WHE, Cunliffe) ou 310–306 a.C. (EBSCO, hipótese do bloqueio cartaginês). O texto diz 'fim do século IV a.C.'.
- Volta à Britânia, em parte a pé (Estrabão). Muitos autores dizem que circum-navegou a ilha; o trajeto exato é desconhecido. O mapa é uma hipótese.
- Tule: Islândia, Noruega, Shetland ou Órcadas; Cunliffe defende a Islândia. O mapa mostra a hipótese da Islândia.
- Ilha do âmbar segundo Plínio, talvez Heligolândia; talvez o Báltico. Elba ou Vístula, conforme o autor (EBSCO).
Fontes
- Biblioteca Histórica, livro 5, caps. 21–22 (Britânia, estanho, Íctis). Diodoro Sículo (século I a.C.), LacusCurtius. https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Diodorus_Siculus/5B*.html
- Pytheas (Research Starters). EBSCO. https://www.ebsco.com/research-starters/biography/pytheas
- Geografia, livros 1.4, 2.4 e 4.5 (citações de Pítias e de Políbio). Estrabão (c. 20 d.C.), LacusCurtius. https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Strabo/2D*.html
- On the Ocean: The Famous Voyage of Pytheas (com base em Cunliffe, Roseman e Roller). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/article/1078/on-the-ocean-the-famous-voyage-of-pytheas/
- Pytheas. Wikipedia (en). https://en.wikipedia.org/wiki/Pytheas
- Ictis. Wikipedia (en). https://en.wikipedia.org/wiki/Ictis
- Pytheas, the Ancient Greek Explorer Who Might Have Reached Iceland. TheCollector. https://www.thecollector.com/pytheas-ancient-explorer
- The Extraordinary Voyage of Pytheas the Greek (2001), resenhas. Barry Cunliffe (Universidade de Oxford) / Publishers Weekly e Foreword Reviews. https://www2.publishersweekly.com/9780802713933
- História Natural, livros 2, 4 e 37 (Tule, Órcadas, âmbar). Plínio, o Velho (77 d.C.), Perseus Digital Library. https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus:text:1999.02.0137:book=4:chapter=30
Mapas: relevo e costas do Natural Earth (domínio público); rotas e datas aproximadas.