Histórias da Navegação · @historias.da.navegacao
Os fenícios: os primeiros grandes navegadores (c. 1100–500 a.C.)
- Período
- c. 1100 a.C. – século V a.C.
- Onde
- Líbano, Chipre, Tunísia, Espanha, Egito, Mar Vermelho, África Oriental, África Austral, África Ocidental, Mediterrâneo, Marrocos, Saara Ocidental, Senegal, Golfo da Guiné
- Quem
- fenícios de Tiro, Necao II, Heródoto, Hanno de Cartago
Parte 1: 1ª parte · de Tiro a Cádis · c. 1100–800 a.C.
- c. 1100 a.C. · TiroOs fenícios vivem numa faixa estreita de terra, no atual Líbano, em cidades como Tiro, Sídon e Biblos. Com pouca terra para plantar, voltam-se para o mar.
- Tiro · púrpura e cedroVendem madeira de cedro e tecidos tingidos de púrpura com um caramujo, o múrex. O nome 'fenício' vem da palavra grega para essa cor.
- ChipreOs navios fenícios seguem de porto em porto, de ilha em ilha, levando tecidos, marfim, madeira e peças de metal. Chipre é uma das primeiras escalas.
- 814 a.C., segundo a tradição · CartagoColonos de Tiro fundam Cartago, na atual Tunísia, em 814 a.C., segundo a tradição. Séculos depois, ela seria uma potência do Mediterrâneo.
- Estreito de GibraltarOs fenícios chegam ao fim do Mediterrâneo e passam o estreito que os gregos chamariam de Colunas de Hércules. Do outro lado, o Atlântico.
- c. 1100 a.C., segundo a tradição · GadirAli fundam Gadir, a atual Cádis, uma das cidades mais antigas da Europa. A tradição diz 1100 a.C.; a arqueologia acha vestígios do século IX a.C.
- Século IX a.C. · HuelvaPerto dali, em Huelva, os fenícios compram a prata de Tartessos e a levam de volta para Tiro. É a riqueza que move toda a rota.
- O alfabetoCom o comércio, viaja o alfabeto fenício: 22 letras, só consoantes. Os gregos o adaptam, e dele descendem os alfabetos do Ocidente, inclusive o nosso.
- Além de GibraltarMais tarde, navegadores fenícios e de Cartago iriam ainda mais longe pelo Atlântico, até a Britânia em busca de estanho, e pela costa da África.
Parte 2: 2ª parte · a volta à África · c. 600 a.C.
- c. 600 a.C. · EgitoO faraó Necao II, do Egito, contrata marinheiros fenícios para uma missão inédita: dar a volta na Líbia, como os gregos chamavam a África.
- Mar VermelhoSegundo Heródoto, os navios partem do mar Vermelho rumo ao sul, com ordens de voltar ao Egito pelas Colunas de Hércules, o estreito de Gibraltar.
- O primeiro outonoTodo outono, os marinheiros desembarcam, plantam trigo e esperam a colheita antes de seguir viagem. Ninguém sabia o tamanho da África.
- O sul da ÁfricaAo contornar o sul do continente, rumo a oeste, os fenícios dizem que viam o Sol do meio-dia à direita, ao norte.
- O detalhe do SolHeródoto não acreditou nesse detalhe. Hoje ele é o principal indício de que a viagem aconteceu: ao sul dos trópicos, o Sol do meio-dia fica ao norte.
- O segundo outonoSubindo a costa oeste da África, os marinheiros param de novo para plantar e colher. A viagem, segundo Heródoto, leva quase três anos.
- O terceiro ano · GibraltarNo terceiro ano, os navios passam as Colunas de Hércules e entram no Mediterrâneo, como mandava o faraó.
- De volta ao EgitoA frota volta ao Egito. Heródoto é a única fonte da viagem, escrita mais de um século depois, e até hoje há quem duvide dela.
Parte 3: 3ª parte · Hanno de Cartago · século V a.C.
- Século V a.C. · CartagoCartago envia Hanno com 60 navios de 50 remos e, segundo o relato, 30 mil homens e mulheres, para fundar colônias além de Gibraltar. Os números devem ser exagerados.
- O Périplo de HannoA viagem é conhecida por um texto grego, o Périplo de Hanno, tradução de uma placa que Hanno teria pendurado num templo de Cartago.
- Costa do MarrocosNa costa do atual Marrocos, Hanno funda Thymiaterion, talvez perto de Kenitra, e deixa colonos em outras cidades, como Akra, talvez Agadir.
- KerneMais ao sul, funda um entreposto na ilha de Kerne, talvez no atual Saara Ocidental. Leva intérpretes de um povo nômade da região.
- Um rio de crocodilosEncontram um rio cheio de crocodilos e hipopótamos. Para muitos estudiosos, é o rio Senegal, o ponto mais seguro da viagem.
- A costa da ÁfricaSeguindo a costa, os cartagineses veem fogueiras à noite em terra e passam por povos cuja língua nem os intérpretes entendem.
- O 'Carro dos Deuses'Avistam uma montanha altíssima soltando fogo, o 'Carro dos Deuses'. Pode ser o monte Camarões, um vulcão ativo, mas não há certeza.
- O 'Chifre do Sul'Numa ilha, encontram pessoas peludas e agressivas, que os intérpretes chamam de 'gorilas'. Três peles são levadas para Cartago.
- Até onde ele foi?Sem comida, Hanno dá meia-volta. Até onde chegou é discutido: do sul do Marrocos ao Gabão, conforme o estudioso. O mapa mostra a hipótese mais longa.
Onde as fontes não concordam
- Gadir (Cádis): tradição de c. 1100 a.C.; vestígios arqueológicos do século IX a.C.. A tradição antiga diz 1104/1103 a.C.; a arqueologia não acha camadas anteriores ao século IX a.C., e um estudo da Universidade de Cádis propõe c. 800 a.C. O texto mostra as duas datas.
- Viagem de quase três anos; Gibraltar no terceiro ano. Heródoto diz que voltaram no terceiro ano; outras leituras falam em dois a três anos. O texto diz 'quase três anos'.
- Montanha de fogo ('Carro dos Deuses'), talvez o monte Camarões. Harden prefere o monte Camarões; Warmington, o monte Kakoulima, na Guiné. O texto diz 'pode ser'.
- Alcance da viagem discutido: do sul do Marrocos ao Gabão. Mauny limita ao rio Drâa; outros falam em Senegal, Serra Leoa, Camarões ou Gabão. O texto diz que é discutido e que o mapa mostra a hipótese mais longa.
Fontes
- Phoenician alphabet. Encyclopaedia Britannica. https://www.britannica.com/topic/Phoenician-alphabet
- Huelva, a Phoenician emporium of the 9th century BC (González de Canales et al.). Ancient Ports Antiques (PDF do estudo). https://www.ancientportsantiques.com/wp-content/uploads/Documents/PLACES/Spain-Portugal/Huelva-Gonzalez2006.pdf
- The Phoenicians (1500–300 B.C.). The Metropolitan Museum of Art, Heilbrunn Timeline of Art History. https://www.metmuseum.org/essays/the-phoenicians-1500-300-b-c
- Artigo sobre a fundação de Gadir (datas de Timeu e arqueologia). Universidad de Cádiz, repositório. https://bibrepo.uca.es/articuloscientificos/33312254.pdf
- The Phoenician Alphabet & Language. World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/article/17/the-phoenician-alphabet--language/
- Gades: timeline. World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/timeline/Gades/
- Tartessos. World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/Tartessos/
- Cádiz (história). Wikipedia (en). https://en.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1diz
- Phoenicia. Wikipedia (en). https://en.wikipedia.org/wiki/Phoenicia
- Did the Phoenicians circumnavigate Africa?. Bad Ancient (verificação de alegações históricas). https://www.badancient.com/claims/phoenicians-africa/
- Necho II. Encyclopaedia Britannica. https://www.britannica.com/biography/Necho-II
- Heródoto, Histórias, livro 4, capítulo 42. Heródoto (c. 430 a.C.), Perseus Digital Library. https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0126%3Abook%3D4%3Achapter%3D42
- An ancient circumnavigation of Africa: what do we know? (2025). History is Now Magazine. https://historyisnowmagazine.com/blog/2025/9/30/an-ancient-circumnavigation-of-africa-what-do-we-know
- Herodotus on the first circumnavigation of Africa. Livius.org (Jona Lendering). https://www.livius.org/sources/content/herodotus/herodotus-on-the-first-circumnavigation-of-africa
- Hanno (Carthaginian navigator). Encyclopaedia Britannica. https://www.britannica.com/biography/Hanno-Carthaginian-navigator-5th-century-BC
- The Voyages of Hanno the Carthaginian Explorer Who Reached West Africa. TheCollector. https://www.thecollector.com/voyages-hanno/
- Hanno the Navigator (com base em Harden, Warmington, Mauny e Law). Wikipedia (en). https://en.wikipedia.org/wiki/Hanno_the_Navigator
Mapas: relevo e costas do Natural Earth (domínio público); rotas e datas aproximadas.